| 16/08/2008 | |||
Texto enviado por e-mail em 06/08/2007 e publicado mediante autorização do autor, Luis Gustavo Cardoso. |
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UM CHORO PRO GUINGA Engenho de Dentro, mata do Rio. O bondinho nós carregamos nos olhos como fumaça da paisagem, coloração em movimento. Do boteco as vozes semialteradas, ma non troppo, as camisas também semiabertas, consolação. Família típica da classe média baixa, era comum ver o filho assobiando valsas de Bid Marçal. Imagino. Um choro pra você, meu amigo cujo amigo observador é um amigo oculto. Do rancho fundo. Ando ouvindo o ensaio, aquele trovador meticuloso falando, você transmudado em elétrons vacilantes, ondas de rádio. Essas notas pungentes do choro hão de tirar do chão os meus pés, fazem coçar as pontas dos dedos, as unhas. As mulheres passando, as noites deitadas sobre o colo das mulheres espelhadas em minha íris, haja foguete, Mané Fogueteiro. De longe, o mar balançando o pêndulo do tempo. Violã ;o solene, amigo do peito esquerdo. Amigo do Aldir, as palavras. E você. Amigo genial, do Villa, e meu. No quintal, do lado de fora, do lado de dentro. Gênio do simples e absurdo. Um choro pro Zé. Um choro pro Guinga. |
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| 14/12/2007 | |||
| Texto enviado por e-mail em 30/11/2007 e publicado mediante autorização do autor, Roberto Amorim Becker. | |||
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SOBRE "VIA CRUCIS" "Por aqui não se passa sem que sofra o calor do fogo. Entrai agora e não sejais surdos ao que escutardes lá dentro." (Divina Comédia Humana, Purgatório, canto XXVII - Dante Alighieri) |
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| 12/11/2007 | |||
| Matéria publicada blog da filósofa Marcia Tiburi em 31/10/2007 (http://bloglog.globo.com/marciatiburi/) | |||
| Pitágoras e Guinga Falei durante menos de uma hora sobre Pitágoras no Centro Cultural Banco do Brasil. Pitágoras é o misto de lenda e história que inventou o nome FILOSOFIA, que descobriu a harmonia musical, que inventou o teorema sobre a soma dos catetos e o quadrado da hipotenusa que atormentou a infância de alguns. A conversa devia girar em torno de Pitágoras e o instrumentista. Eu falava de Pitágoras (de sua filosofia, não da música, porque eu sou analfabeta musical...), mas a coisa foi melhor do que poderia. |
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| 10/09/2007 | |||
| Matéria publicada no Jornal "O Globo" em 09/09/2007 | |||
| Nobreza Popular Luís Fernando Veríssimo Uma das muitas cenas memoráveis do imperdível filme "Brasileirinho", do diretor Mika Kaurismaki, é a do Guinga contando como nasceu a música "Senhorinha", dedicada à sua filha. Depois Zezé Gonzaga canta a música. Quem não se emocionar deve procurar um médico urgentemente porque pode estar morto. "Senhorinha" tem letra de Paulo Cesar Pinheiro e é uma das coisas mais bonitas já feitas no Brasil — e não estou falando só de música. O filme todo é uma exaltação do talento brasileiro,da nossa vocação para a beleza tirada do simples ou, no caso do chorinho, do complicado, mas com um vituosismo natural que parece fácil. Recomendo não só a quem gosta de música, mas a quem anda contagiado por sorumbatismo de origem psicossomática ou paulista e achando que o Brasil vai acabar na semana que vem. Não é a música que vai nos salvar,claro. Mas passei o filme todo vendo e ouvindo Guinga,o Trio Madeira Brasil, o Paulo Moura,o Yamandu, o Silvério Pontes, a Elza Soares, a Teresa Cristina, a Zezé Gonzaga (e até Ademilde Fonseca!) e pensando: é essa a nossa elite. Essa é a nossa nobreza popular, a que representa o melhor que nós somos. O Oposto do patriciado que confunde qualquer ameaça ao seu domínio com o fim do mundo. Uma das alegrias que nos dá o filme é constatar que o chorinho, longe de estar acabando, está se revitalizando. Tem garotada aprendendo choro hoje com nunca antes. Substitua-se o choro pelo Brasil que não tem nojo de si mesmo e pronto: a esperança vem por aí. Parafraseando Chico Buarque: contra desânimo, desilusão, dispnéia, o trombone do Zé da Véia. |
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| 18/03/2007 | |||
| Matéria produzida Thales Ramos e Emiliano Mello, com foto de Bruno Villas Bôas para o blog "O Samba". | |||
| Link: http://osamba.wordpress.com/2007/03/22/41/ | |||
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O blog "O Samba" entrevistou o músico e compositor Guinga no Leblon, em 18 de março de 2007. Ele acabara de lançar seu CD “Casa de Villa” e preparava-se para uma série de shows no Brasil e no exterior. Guinga, você tocou com Cartola. Como ele era? Como você o conheceu? E como foi essa convivência? Depois de “Vem quem tem, vem quem não tem”, vocês voltaram a trabalhar juntos? E a sua amizade com o Nelson Cavaquinho? Virado? Quem mais andava com vocês? No Programa Ensaio, da TV Cultura, você disse que o Nelson Cavaquinho nunca te ouviu tocar… Você tocou também com o João Nogueira… Então isso tudo foi antes de entrar para a faculdade? A gente observa que não há muitos sambas na sua discografia. Por quê? Por outro lado, notamos uma presença bem forte do choro na sua obra. E por falar nisso, conta como foi o seu encontro com o Pixinguinha. Vamos falar sobre o novo disco. “Casa de Villa” tem sido definido como um disco mais nu. Você concorda com isso? É uma tentativa de se aproximar mais do Guinga ao vivo? “Baião de Lacan” e “Choro pro Zé”, por exemplo, são músicas que você toca nos shows e não canta, fica só no instrumental. Neste álbum você canta em oito faixas. No show você também cantará? Como é o seu processo criativo? Desde o “Noturno Cobacabana” você tem investido na relação com novos compositores como Mauro Aguiar, Simone Guimarães e Francisco Bosco (filho de João Bosco). Como tem sido essa relação com esse pessoal da nova geração? Então, às vezes, acontecia de o pessoal aparecer querendo fazer tratamento e, “do nada”, oferecer uma parceria? No “Casa de Villa” você compôs a letra de “Maviosa”. Seria o início de um Guinga letrista? Olhando a sua agenda de shows, a gente nota você toca muito no exterior. Você chega a trabalhar mais lá fora do que no Brasil? Falando em Itália, como foi a repercussão do disco “Graffiando Vento”, com o clarinetista italiano Gabrielle Mirabassi no país? Algum outro projeto no exterior? David Byrne, do Talking Heads, declarou que ficou muito impressionado com o seu show de estréia em Nova Iorque, no Joe's Pub, em 2005. Ele notou, porém, que havia poucos brasileiros na platéia. Como foi tocar pela primeira vez na cidade? A que você atribui esse aparente “desinteresse” dos brasileiros a respeito de um compositor importante como você? Você tocou em Los Angeles também, não foi? E o que a crítica achou? Como músico, qual é a sua relação com o cinema e a TV? Você é muito procurado para fazer trilhas sonoras, sendo um compositor que navega por varios estilos de musicas e com uma forte raiz brasileira? Você é um compositor genuinamente carioca e canta o Rio de Janeiro em todas as suas canções. No entando, quase não o vemos tocar na cidade. Por que será? Como você enxerga essa questão cultural e qual a conseqüência disso para a divulgação da sua música? Conta um pouco sobre essa descoberta da sua música por essa nova geração através da internet; há, inclusive, um myspace em sua homenagem… TEXTO POR THALES RAMOS E EMILIANO MELLO. FOTO: BRUNO VILLAS BÔAS |
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| 09/05/2007 | |||
| Matéria produzida pela jornalista Áurea Alves para a coluna Carta Brasilis. | |||
| Link: http://www.brazilianpress.com/20070509/colunas/cartabrasilis.htm | |||
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| 18/03/2007 | |||
| Matéria produzida por Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4 e autor de O Gogó de Aquiles, ed. A Girafa. | |||
| A CASA DA MÚSICA Ao ouvir Casa de Villa (Biscoito Fino), disco recém-lançado por Guinga, fica a dúvida: será mesmo que são apenas sete as notas musicais? Com seu universo sem limitações, a criação de Guinga não respeita limites. Para ele, dós, rés, mis, fás, sois, lás e sis são trampolins dos quais se vale para mergulhar na profundeza de seu talento. Para Guinga, o compositor, não basta criar belas frases musicais, há que fazê-las soar como nunca se ouviu igual; e assim ele compõe. Para Guinga, o violonista, não basta inverter belos acordes e dar-lhes ar de modernidade explícita, há que recriá-los com sonoridade compatível com o saber de seu criador; e assim ele toca. À Guinga, o cantor, não satisfaz ver a excelência brotando da alma e de suas mãos de autor, há que participar do banquete servido por este a apaixonados pela música, há que enfrentar as limitações impostas pela dicção imprecisa – compensada pela afinação correta e pela capacidade de emitir notas agudas –, e há que se valer de seu notável senso rítmico. Casa de Villa tem a poesia-despedida de Paulo César Pinheiro escrita para “Porto de Araújo”: “Por favor, não chora/ Oh mãe/ Que eu tou levando em teu surrão/ De artesã/ Cordão de prata, cruz de ouro/ O teu talismã.” Com arranjo de Carlos Malta, que toca flautas e saxes barítono e soprano, e mais o violão de Marcus Tardelli (do Quarteto Maogami), a simplicidade é tudo. O som do barítono de Malta é tão expressivo quanto lírica é sua flauta “piando” feito o guriatã. Ao final, os sopros se juntam para “apitar”, indicando que o cargueiro zarpou... Magicamente lindo! Tem Aldir Blanc e sua poesia confessional escrita para “Tudo Fora de Lugar”, só para Guinga cantar com seu violão. O arranjo de Marcus Tardelli esbanja criatividade posta em prática para que a música e a letra tenham espaço para brilhar. Belas! E tem Edu Kneip: “Mar de Maracanã” e “Via Crucis”, esta com participação especial da ótima Paula Santoro. Com voz poderosamente afinada, ela demonstra que é quando cantada por voz com recursos de grande intérprete que a música de Guinga atinge ainda mais fortemente o coração de quem a ouve. Casa de Villa , assim com dois “eles” para homenagear Villa Lobos, tem quatro temas instrumentais: “Comendador Albuquerque” é uma homenagem de Guinga a Paulinho Albuquerque, que produziu os primeiros discos de Guinga, foi um “fazedor” musical de extrema criatividade e nos surpreendeu e assustou com sua morte prematura, deixando tanta saudade... Guinga chora pelos dedos o arranjo de Marcus Tardelli, enquanto a imagem do “comendador” sorri à nossa frente. “Jongo de Compadre” (Guinga, Aldir Blanc e Simone Guimarães, ela que fez com Guinga “Capital”, faixa 4 do disco) tem arranjo de Paulo Sérgio Santos, que dá um espetáculo a parte tocando clarinetas, clarone e saxes alto, soprano e tenor e ainda conta também com a tuba de Eliezer Rodrigues. “Villalobiana” (Guinga), arranjo e trompete a cargo de Jessé Sadoc, enquanto Wellington Moura toca o segundo trompete, João Luiz Areias toca trombone, Philip Doyle toca trompa, Popó toca tuba e Guinga toca violão. “Bigshot” (Guinga), com bom arranjo de Paulo Aragão, no qual os sopros são os mesmos de “Villalobiana” (destaque para o solo de trompete de Jessé Sadoc), acrescidos da bateria de Erivelto, da percussão de Bolão, do reco-reco de Bernardo e da zabumba de Durval Pereira. A música de Guinga é larga – às vezes sinuosa feito estradinha de terra do interior. Música feita de subidas e descidas quase sempre íngremes, mas sempre com pequenas retas para descanso, após tantos volteios. Viaja-se pela aptidão musical de Guinga como se não houvesse compromisso de alcançar o destino final, mas sim sentir cada palmo de estrada percorrido, vendo paisagens surpreendentes a cada curva rodada, a cada lombada saltada. Assim, fazendo da voz seu outro instrumento, ele desmistifica diferenças que dizem haver entre o erudito e o popular. |
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05/03/2007 |
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| Matéria publicada no Jornal "Estado de Minas" (01/03/2007 - Ailton Magioli) Clique aqui para baixar a versão PDF. | |||
GUINGA E PAULA SANTORO FAZEM SHOW DE LANÇAMENTO DO SÉTIMO DISCO DO |
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| 07/11/2006 | |||
| Na sua última turnê pela Itália, Guinga foi surpreendido no camarim. É que os integrantes do grupo Manhattan Transfer fizeram uma bela homenagem ao compositor, que já tem músicas suas no setlist do grupo. | |||
| 23/05/2006 | |||
| Guinga é capa da primeira edição da revista Violão Pro. Veja clicando aqui. | |||
| 14/03/2006 | |||
| Matéria publicada no Jornal "Estado de Minas" | |||
![]() UNHA E CARNE Ex-integrante do grupo Maogani, o violonista Marcus Tardelli lança, pela gravadora Biscoito Fino, um álbum dedicado à obra de Guinga, que tem apenas elogios para o amigo e discípulo Ao mestre, com carinho (AILTON MAGIOLI) Apesar de até então integrar os planos do compositor e violonista, Unha & carne, que o violonista fluminense Marcus Tardelli, de 28 anos, gravou com a obra de Guinga, de 55, é o retrato retocado da alma do artista, segundo revela, emocionado, o próprio Guinga. “Tenho visto os grandes inventores do violão em ação, mas o Tardelli, realmente, tem um componente a mais. Depois de ouvi-lo fica sem sentido fazer um disco com a minha obra”, afirma o artista carioca, responsável pelo convite ao discípulo para que ele gravasse o CD. Ex-integrante do grupo Maogani, Marcus Tardelli estréia carreira solo em grande estilo, realizando um desejo de infância. “As circunstâncias me tornaram um solista”, confessa o violonista, natural de Petrópolis. Apesar da formação autodidata, Tardelli acabou graduando-se em violão na escola de música da UFRJ. Além da liberdade para escolha do repertório, que passa por toda a obra de Guinga, Marcus Tardelli ainda ganhou de presente do mestre a valsa inédita que batiza o disco, além de um violão do luthier Lineu Bravo, mineiro de Conceição do Mato Dentro, para tocar durante a gravação. MÃO ESQUERDA Com sete discos solos, a maioria na Velas,Guinga aguarda a rescisão do contrato com a gravadora de Vitor Martins para fazer um novo trabalho. “O contrato terminou há um ano e acho que eles já podiam ter me liberado. Foram 15 anos na empresa e acho que este é o momento de mudar. Às vezes o jogador tem de mudar de clube para oxigenar”, diz Guinga, que,antes de Unha & carne, teve a parceria com o letrista Aldir Blanc registrada em disco por Leila Pinheiro no elogiado Catavento e girassol. Baião de Lacan, Igreja da Penha (Carta de pedra), Capital, Unha & carne, Cheio de dedos, Cine Baronesa, Mingus samba, Dichavado, Constance, os potpourris Baiões (Influência de Jackson/Nítido e obscuro/Geraldo no Leme/Pra Jackson e Almira/Chá de panela/ Dá o pé, loro) e Frevos (Vô Alfredo/Henriquieto) e a série Expressões do choro (Choro-canção, Choro-tango, Choro-réquiem) integram o repertório do disco de Tardelli. Segundo Guinga, a seleção mantém o equilíbrio dos aspectos rítmico e melódico de sua obra. “Claro que falta muita coisa, mas o disco ficou a minha cara. Tem o meu pensamento violonístico, o meu sentimento. É o retrato retocado da minha alma”, emociona-se Guinga. “A solução é ele gravar um segundo volume”, sugere, listando Melodia branca, Comendador Albuquerque, Di menor, Di maior e a valsa Caiu do céu como peças prováveis do disco. Na opinião de Guinga, o diferencial de Marcus Tardelli reside reside na mão esquerda. “O que ele faz com ela é praticamente impossível para os violonistas que estão aí. Tardelli é o penúltimo dos moicanos, não sei se vai aparecer outro como ele. A mão esquerda dele realmente é um componente a mais dentro do violão. E não sou só eu quem diz isso, o Alieksey Vianna, por exemplo, diz que nunca viu nada igual”, empolga-se, informando ter havido fila na casa de um amigo dele, em Boston, nos Estados Unidos, para ouvir Unha & carne. Segundo Guinga, o violão de Tardelli é revolucionário. “Ele possui emoção e invenção que ninguém tem no instrumento”, diz. Influência dos clássicos “Tudo o que Guinga compõe passa pelo violão”, ressalta Marcus Tardelli, feliz com o “presente” que marca a estréia na carreira solo. Apesar da liberdade para a escolha do repertório, o violonista fluminense diz que fez questão de que Guinga acompanhasse a elaboração de todos os arranjos. “Queria que a obra dele continuasse sendo dele”, diz, justificando o cuidado. “A intenção é mostrar as variadas caras de sua obra, de estilo harmônico muito forte”. Segundo Tardelli, a influência da música erudita na música do mestre é perceptível. “As valsas, por exemplo, têm muito do impressionismo. Sinto que ele tem influência forte de Villa-Lobos, também. Além de profunda, a obra de Guinga é bela e, ao mesmo tempo, original”, diz o discípulo. Em 31 deste mês, Marcus Tardelli vai participar de uma noite de autógrafos do disco no Museu Villa-Lobos. Em abril, fará curta temporada de lançamento de Unha & carne no Mistura Fina, do Rio de Janeiro, seguindo para Curitiba , para o projeto Violão Brasileiro, em 31 de maio. Em junho, o violonista vai dar início à turnê internacional, se apresentando no Spoleto Festival, de Charleston, nos Estados Unidos, e em um evento jazzístico em Santiago, no Chile. Embora não possua repertório próprio, ele não descarta a possibilidade de registrar as composições de sua autoria em disco, mais tarde. |
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| 11/10/2005 | |||
Matéria
publicada no Jornal "O
Globo"
- Rio de Janeiro |
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| 19/09/2005 | |||
| Matéria publicada no site "Sintonia Fina", de autoria do compositor Nelson Motta | |||
| Guinga, o homem da fronteira | |||
| O homem é um monstro. Do
bem. É, com licença de Edu Lobo e Milton Nascimento, o maior dos pós-jobinianos
em atividade. Não fosse pelo próprio Tom Jobim, também seria o maior pós-pixinguiniano
da atualidade. E como Tom, ele ama Villa Lobos, que amava Pixinguinha,
que amaria Guinga, se o ouvisse. Sei lá, quem sabe até ouve. Por incrível que pareça, nunca havia visto e ouvido Guinga ao vivo. O lugar para esta inesquecível primeira vez não poderia ser mais adequado: o auditório do Instituto Moreira Salles, no alto da Gávea, com suas cento e poucas confortáveis poltronas ocupadas pelo público educado e discreto que ouviu Guinga em silêncio reverente para depois saudá-lo com aplausos selvagens. De bônus, as cortinas da parede lateral envidraçada foram levantadas para revelar o cenário do esplêndido jardim iluminado. No palco, um dentista cinqüentão nascido no subúrbio, criado na Zona Norte e morador do Leblon há 20 anos. Ele e seu violão. E sua música assombrosa. Durante toda sua vida ele viveu essa estranha vida dupla, de dia arrancando dentes, fazendo restaurações e dando anestesias e À noite se transformando no solitário compositor e violonista que cria melodias e harmonias na fronteira entre o popular e o erudito e tem entre seus maiores admiradoras justamente os mais admirados músicos pós-jobinianos como Edu e Milton. É exercício vão tentar catalogá-lo ou enquadrá-lo em escolas ou movimentos, é autodidata, avançou por trilhas musicais que se misturam aos caminhos de Tom Jobim, Pixinguinha e Villa-Lobos, é a fronteira viva entre o clássico e o popular, entre o jazzístico internacional e o melhor samba, choro e canção brasileiros. O homem é um monstro. Um doce monstro, no início nervoso e desconfortável no palco, ansioso para mostrar a sua música, seu dom, sua razão de viver. No final, cercado de aplausos e grata admiração da platéia, chegou a contar piadas. Um homem adorável em sua fragilidade e na extraordinária força de sua arte, na sua reverente admiração pelos mestres, no seu respeito aos colegas e ao público. E as músicas? Começou com duas instrumentais intrincadas e cheias de sutilezas e surpresas. Depois chamou o magnífico trompetista Jessé Sadok e, juntos, em perfeita integração, tocaram uma série de blues, choros, sambas, canções, ou misturas de tudo isso, que maravilharam o público. Não, não se parecem com nada essas canções, são modelos originais na vertente da mais refinada e sofisticada do que se tornou conhecido como MPB. Não dá para falar, só ouvindo. |
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| 07-05-2005 Leia a matéria sobre o Guinga no New York Times clicando no link "mundo" |
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Virtuoses do inusitado HELENA ARAGÃO (publicado no JB on-line de 01/03/2004)
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Num país onde caixinha de fósforo já é popular instrumento de batuque, um músico de barba branca e vitalidade de garoto, apesar dos 68 anos, espalha sua cartilha de mensagem simples: tudo se experimenta, nada é proibido, desde que produza barulho interessante. Ao longo do mês, Hermeto Pascoal – o bruxo, na definição de muitos – vai demonstrar estes ensinamentos no palco do CCBB do Rio. Ele é a inspiração da série Até pinico dá bom som, que inaugura hoje, tendo Guinga e Paulo Sérgio Santos como convidados. Nas próximas semanas, o palco será ocupado por outros admiradores do feiticeiro: Naná Vasconcelos, Uakti, Badi Assad e Barbatuques. "Clarinete e violão são instrumentos caretas só para quem é careta. O Guinga e o Paulo Sérgio nunca tocam uma música da mesma maneira, não são convencionais", explica Hermeto, que em seguida pega o clarinete de Paulo e começa a tocá-lo de cabeça para baixo. O histórico de Guinga ao lado do compositor alagoano teve início em 1988, quando subiu a um palco como solista pela primeira vez, no Circo Voador ao lado de Hermeto. Os dois chegaram a fazer uma temporada juntos no Rio, nos anos 90. "Vou relembrar a primeira visita que fiz ao Jabour (bairro da Zona Oeste do Rio onde Hermeto morava) tocando meu choro Picotado, que apresentei a ele naquele dia", adianta o violonista. Lembranças musicais foram a tônica do ensaio da última sexta-feira, que contou com um Hermeto incansável, um Guinga falante e gargalhante como nunca, e um Paulo Sérgio mais contido, mas tão empolgado quanto os demais. "É o ensaio mais louco que já vi", comentou Paulo, ao ser intimado a colocar um penico na cabeça e ver seu clarinete virar guidon de motocicleta nas mãos de Hermeto. Tudo isso para a sessão de fotos. Diferente de Guinga, Paulo nunca se apresentou junto com o mestre. O máximo que fez foi abrir um show dele, com seu Quinteto Villa-Lobos. Mas sempre foi um dos freqüentadores da casa do Hermeto, onde ganhou mais do que intimidade. Ao chegar no ensaio, tirou da pasta uma partitura que viu o mestre criar para ele num desses encontros, em 1998: uma peça para clarinete solo, batizada somente agora com o nome Paulinetando. O que vai entrar no repertório do show, só Deus sabe. Guinga mostrou dois choros novos de sua autoria, e também tocou composições que conheceu no Jabour – sempre de cabeça, já que não lê partitura. "Rapaz, nem me lembro disso. É meu"?, perguntou Hermeto, curioso. O diálogo faz pensar em quantos shows seriam necessários para que o público conhecesse as músicas que Hermeto fez assim, espontaneamente, para seus convidados. Mas os tempos são outros. A tradição dos saraus musicais do Jabour foi quebrada há dois meses, desde que o Bruxo se mudou para Curitiba para morar com a namorada, Aline Morena, uma cantora paranaense de 24 anos. "Disseram que me mudei há mais tempo, que falei mal do Rio. Não foi nada disso. A violência teve um pouco a ver com a minha partida, mas é claro que não foi o motivo principal. Minha família continua morando no Jabour". Mais magro, com menos shows agendados, Hermeto tem se dedicado à criação no apartamento em que vive com Aline. Acompanha os progressos da namorada ao piano, ensaia com ela para um show em São Paulo e prepara um novo livro de partituras, ao estilo do seu Calendário do som, lançado em 2000. Quando tem tempo, faz exercícios físicos numa esteira. Isso quando consegue se manter disciplinado ao ouvir os “barulhos maravilhosos” que a geringonça faz. Brincadeiras à parte, os três voltam a falar sério quando o assunto é trabalho. Sobretudo quando a cantora Monica Vasconcelos, uma brasileira residente em Londres que assistia ao ensaio a convite de Guinga, aproxima-se do bruxo e comenta: "Quando falo com o Chick Corea e pergunto que músico ele mais admira no Brasil, ele responde: Hermeto. Faço a mesma pergunta ao Marsalis e ele responde: Hermeto". "Então faz um favor. Peça para eles falarem isso quando vierem ao Brasil", respondeu o bruxo, de pronto. Ele não faz troça. Se é ídolo de muitos brasileiros – e a garotada que freqüenta seus shows confirma isso –, continua, paradoxalmente, pouco ouvido em disco por aqui Guinga e Paulo Sérgio, amigos de longa data, também têm hoje uma carreira internacional cada vez mais consolidada. Com um disco recém-lançado na praça (Noturno Copacabana), Guinga acaba de voltar de uma turnê americana, e em breve vai para a Europa. No Brasil, fez poucos shows de lançamento, em São Paulo e Paraty, por exemplo. No Rio, os fãs ainda estão à espera. "Até agora não consegui agendar nada", lamentou. Paulo tem mil projetos na cabeça. O próximo a se realizar será também internacional: um disco com o clarinetista italiano Gabriele Mirabassi – com quem Guinga também gravou recentemente – e o violonista Zé Paulo Becker. Fim de conversa, volta ao ensaio. Diferente do amigo Paulo, Guinga diz que não tem coragem de experimentar novos instrumentos ou ou tentar tirar som de objetos. Mas pouco depois arrisca-se a fazer som com o penico, que tira da cabeça, às gargalhadas. Sob a batuta de Hermeto, só pára quando o mestre dá a deixa: "É bom não ensaiar muito para ficar melhor"! |
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| Crítica publicada no Site"Bravos Atores" - 26 de outubro de 2003 (publicação no site gentilmente autorizada pelo autor, Daniel Maia) |
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| A Música Brasileira vai muitíssimo bem, obrigado. O lançamento recente de Guinga é redentora prova de garantias de profundo deleite. Guinga, sempre afiado nas sofisticadas construções harmônicas e no violão virtuoso, agora canta com desenvoltura e personalidade como nunca em seu Noturno Copacabana. As instrumentais Garoa e maresia e Depois do sonho nos levam a viagens cinematográficas guiadas pelos sopros magistrais de Paulo Sergio Santos e Proveta. Guinga abusa de sua voz rouca no delicioso Abluesado com letra de Aldir Blanc. O bom humor e o cotidiano que permeiam a obra de Guinga são ponteados por arranjos de madeiras e metais malemolentes e estão presentes no samba-embolada Desavença e em Concubinato. | |||
| Crítica publicada no Jornal "O Globo" - 20 de outubro de 2003 - Versão on line (publicação no site gentilmente autorizada pelo autor) |
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| 'Noturno Copacabana', Guinga (Velas) por Leonardo Lichote Copacabana cabe toda neste CD - não como parte da cidade, mas, como o compositor defende, bairro-síntese, a tal aldeia que reflete o mundo. Em suas melodias, o violonista passa pela tranqüilidade do mar que alivia o porre ("Garoa e maresia"); pelo movimento nervoso de pivetes, camelôs e banhistas ("Dichavado" e "Pra Jackson e Almira"); pela sordidez da noite do calçadão ("Noturno Copacabana"); pelos pequenos dramas do interior dos apartamentos ("Canção desnecessária" e "Concubinato"). Os letristas acompanham. Aldir Blanc aponta o parentesco entre blues e samba-canção em "Abluesado". Paulo César Pinheiro pinta uma mulher de bruma em "Senhorinha". Simone Guimarães enche de humor o malicioso coco-choro "Desavença". "Iara", outra Princesa do Mar, é retratada por Luis Felipe Gama. Francisco Bosco cumpre a difícil missão de resumir tudo, em "Noturno Copacabana". As convidadas Leila Pinheiro, Fátima Guedes e Ana Luiza (estreante) dividem vocais com Guinga - de voz vacilante, mas canto cada vez mais seguro. O CD é cobertura de luxo, com vista para a frente e para os fundos. |
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| GUINGA, O GRANDE Compositor lança Noturno Copacabana, seu sexto CD por Flávia Souza Lima (publicação no site gentilmente autorizada por ZIRIGUIDUM.COM) |
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| Guinga, o indiscutivelmente genial compositor carioca (perdão, leitores, pelo inevitável lugar-comum) passa por uma fase especial em sua carreira que, poucos sabem, já tem mais de três décadas. O artista conjuga o lançamento de seu sexto CD, Noturno Copacabana, com uma viagem à Itália, convidado para ministrar workshops durante a próxima quinzena. Noturno Copacabana (Velas), assim como os anteriores, é ansiado por boa parte da imprensa e dos músicos antes mesmo de chegar ao mercado. Ouvir um CD de Guinga é como receber um mapa do tesouro. No final do percurso entremeado de surpresas sensoriais - sim, pois a música de Guinga tem densidade, aroma, sabor e imagem -, é certo haver encontrado o pote de ouro. Noturno Copacabana é, antes de tudo, uma viagem pela alma do compositor. Modinha, valsa, choro, baião, lundu (!) e uma miríade de ritmos trespassam Copacabana e desembocam no melhor porto da atual música brasileira: o violão de Guinga, filho do subúrbio e afilhado das praias do Rio de Janeiro. São 14 faixas, seis parceiros, três cantoras convidadas, um punhado de excelentes músicos e incontáveis momentos de emoção. Boa viagem. Simone Guimarães, cantora e compositora paulista - da melhor estirpe - a quem Guinga considera "um gênio", co-assina três faixas e mostra que tem fôlego de sobra para muitas mais ao lado do compositor. Na 'amaxixada' (seria um xaxado? Teria um viés de maracatu?) Desavença, conta a história de um certo Popoto e sua viola; no baião Pra Jackson e Almira, homemageia o impetuoso pandeirista a partir do acróstico "Para Jackson do Pandeiro e Almira esta homenagem"; no lundu Rasgando Seda, celebra a música de Guinga ("tu és o anjo novo da canção"). Pena não ouví-la ao seu lado em nenhuma faixa. Luís Felipe Gama se mostra profícuo letrista, basta conferir o choro Silêncio de Iara, que ganhou bela interpretação da cantora paulistana Ana Luiza. Mauro Aguiar soa divertido em Concubinato (que traz Guinga e Fatima Guedes em hilária dobradinha) e comovente na valsa Canção Desnecessária ("abrace o precipício / e valse a valsa imersa / num silêncio insano"). Letrada por Francisco Bosco, a faixa-título traduz o clima do desejo que pulsa na noite em imagem talvez naturalista demais para o lirismo do conjunto ("noite à beira-mar / homens vêm montar / centauros de silicone / por cem reais / nalgum motel"). Aldir Blanc, mestre e parceiro de grande parte da safra recente de composições de Guinga, faz literal gol de letra em Abluesado, trançando paralelos entre o blues e o samba-canção ("um é azul e triste / o outro reza e peca"). Paulo Cesar Pinheiro, primeiro parceiro constante de Guinga, paira emocionante em Senhorinha, com pungente interpretação do músico. Fonte Abandonada, outra composição da dupla, dificílima valsa que amargou 20 anos de gaveta, é molhada pelo som do Quarteto de violões Maogani e pela voz de Leila Pinheiro, cantora que já dedicou um de seus discos - o estupendo Catavento e Girassol (EMI, 1996) - à obra de Guinga e Aldir Blanc. Não bastasse o selecionado das cordas que estofam com tecido fino O Silêncio de Iara, Depois do Sonho e Rasgando Seda, Noturno Copacabana traz ainda primoroso escrete de sopros. Em Garoa e Maresia, tema instrumental que descortina o CD, rebentam as notas de Carlos Malta (flautas), Paulo Sérgio Santos (clarinetes) e Jessé Sadoc (flugelhorn) - além das cordas cruzadas de Guinga (violão), Lula Galvão (guitarra) e Jorge Helder (baixo). Os sopros também dão o tom de Abluesado, com o trombone de Sérgio de Jesus mais sax e clarinete de Paulo Sérgio Santos. Nailor Proveta (sax alto) sobre a cama de cordas realça Depois do Sonho. Na mezzo-sorumbática mezzo-sedutora faixa título, é o trompete de Jessé Sadoc rasgando a noite do bairro até o lento amanhecer em frente ao mar que banha Copa. Ao ouvinte emocionado, resta o êxtase. E a certeza de ouvir a música de um gênio. |