Guinga

Noturno Copacabana (2003)

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 1. Garoa e Maresia
(Guinga)

Guinga: violão
Lula Galvão: guitarra
Jorge Helder: baixo
Carlos Malta: flautas
Paulo Sergio Santos: clarinetes
Jessé Sadoc: flugelhorn


2. Abluesado
(Guinga-Aldir Blanc)

Blues e samba-canção
guardam a contradição
neles a criação
nos fala de querer
mas bebe pra esquecer,
vive pra se suicidar
Se trens daqui vêm de lá
coca no guaraná
a retrô-volução
Sussurros em Sergipe
- Sou Miss Mississipi
mas cresci no Irajá.

Ablusei assim
de porre, I'm sorry, meu Nei
eu sou silly Billy, sei, sem Ice ou Holiday
gente, night and day, meu Deus,
como eu apanhei !
Minha vida, arranjo em ré
do velho Billy May

Blues e samba-canção,
sopros no coração
surubadowntown
Um é azul e triste
o outro reza e peca
e ainda é um tipo de cueca !

Boneca, não seca
Meu blues, sem beca de partida
sujou legal na saída !

Guinga: violão
Lula Galvão: guitarra
Jorge Helder: baixo
Paulo Sergio Santos: clarinete, sax alto
Sergio de Jesus: trombone
João Cortez: bateria


 3. O silêncio de Iara
(Guinga-Luis Felipe Gama)


Iara
Me leva
Agora
Iara
Que a vida
Levaste em tuas asas

Se deitas
Iara
No fundo
Das horas
Que faço
Pra te encontrar, ah!

Se ao menos
Iara
Teus lábios
Parados
Soprassem
Aonde estás, meu bem

Eu ia
Iara
Eu ia
Prá sempre
Eu ia
Prá onde vais

Calada
Na sombra
Dos dias
Iara
Querida
Não durmas não
Ah!
Não!


Guinga: violão
Jorge Helder: baixo
Paulo Sergio Santos: clarinete
Carlos Malta: flauta C
(*) Cordas
Participação especial - Voz: Ana Luiza


4. Desavença
(Guinga- Simone Guimarães)

Deixa menina minha viola que todo canto que eu faço é teu,
se descombina eu vou -me embora
e não consola mais esse breu
A lua nasce tem tantos anos, quanto engano já doeu
o beija-flôr em nossa janela buscando o doce que você deu
a samambaia está sempre bela , pelos cuidados que recebeu

Lá vem Cristina com seu passinho manso
Popoto contrariado, desafinando o "todo cuidado"
amam-se muito, mas não vai bem esse casamento
haja ungüento que cure a sorte
Estão num momento
em que a convivência já "tá "criando tanto "fandango"
mando e desmando, inoperando todo o encanto
Para Cristina o Popoto só toca viola , até dá bola, mas nenhuma no gol
- deixa Cristina de inventar caraminhola
chega de hora, se desenrola
falar de mim prá todo mundo - que bueiro!!!
não dá dinheiro, o teu amigo sou eu

Deixa menina minha viola que todo canto que eu faço é teu,
se descombina eu vou -me embora
e não consola mais esse breu
A lua nasce tem tantos anos, quanto engano já doeu
o beija-flôr em nossa janela buscando o doce que você deu
a samambaia está sempre bela , pelos cuidados que recebeu

E assim Cristina foi conformando um pouco
Popoto, cabeceando, beijou o seu rostinho brincando
todo domingo escutam o "chorinho na feira"
e sem "brigueira" os seus carinhos foram voltando
De vez em quanto praticam uma briguinha de galo
e no intervalo o tempo vai marcando a folhinha
e assim a rinha não incomoda mais a vizinha
na vida deles ninguém mete a colher
Pára, Popoto, de "quizira", de "fiola"
de "rami- rami' , de rasga bola
para nenhum é bom a vida que esfola
"erra de mim", "embora se violar"

Guinga: violão
Lula Galvão: violão
Jorge Helder: baixo
Nailor Proveta Azevedo: sax alto
Marcelo Martins: sax tenor
Sergio de Jesus: trombone
Bocão: trombone
Flavio Melo: trompete
Nelson Oliveira: trompete
Jessé Sadoc: trompete
Paulo Sergio Santos: clarone
Armando Marçal: percussão


5. Noturno Copacabana
(Guinga-Francisco Bosco)


Noite, à beira-mar
Homens vêm montar
Centauros de silicone
Por cem reais
Nalgum motel
Ou sob o céu do Mirante
Leme, Marimbás
Forte, Posto Seis
É pura pulsão de morte... morte... morte...

Noite, à beira-mar
Carros vão passar
Por vigilantes sereias
Uns vão seguir
Sem escutar
Com algodão nos ouvidos
Outros vêm morrer
Vêm se afogar
No mar de Copacabana ... ana... ana....

E eu vou me equilibrando
Andando, andando
Na corda do meu desejo
E quando, quando
A noite avançar
No fundo do mar
Os mortos matam sua sede... sede... sede...

Guinga: violão
Lula Galvão: violão
Jorge Helder: baixo
Carlos Malta: flauta C
Paulo Sergio Santos: clarinete
Jessé Sadoc: trompete


6. Depois do sonho
(Guinga- Luis Felipe Gama)

Guinga: violão
Jorge Helder: baixo
Nailor Proveta Azevedo: sax alto
(*) Cordas


7. Concubinato
(Guinga-Mauro Aguiar)

Se eu te suplico por um tête-a-tête
Na kictchenette vendo sitcom
Tu me retruca empinando o topete:
- Se fosse um flat até ficava bom
Me pede a chave do Chevette Hatch
E sai toda jambete pro baixo Leblon

Tento de tudo pra acabar com a crise
Tão performática no edredom
Danço no ventre transo striptease
Siliconada, peito de teflon
Se eu te convido pra assistir reprise
Tu chama a rapeize e vai pro Bar do Tom.

Ah!
Vem cá se trancafia
Vê se esquece o drive-tru
Trauma de claustrofobia
Não passa de tabu

Pra que ficar na rua ensaboando o céu
Se pra quem se habitua qualquer cafua dá lua de mel ?
Pra que tanto escarcéu ?
Concubinato não é mausoléu.

Te peço um colo bem tatibitate:
- Vem cá curtir comigo o talk-show
O nosso jogo terminando empate
Eu cavo um pênalti no golden gol
Basta eu piscar tu já partiu pra night
E eu procuro um site pra saber quem sou

(ELA) Me monto até que nem socialite
Tchutchuca diet muito natural
No fast-food vou de coca light
E calo a boca no telejornal
Você só pensa em futebol soçaite
E eu descubro um site mais sentimental

Ah!
Vem cá pra incubadeira
(Custa) abdicar do sol ?
Temos uma vida inteira
Debaixo do lençol.

Pra que ficar na praia acumulando sal
Se pra toda cobaia qualquer cubículo é descomunal ?

Não é assim tão mal
Nosso cubículo descomunal
É sobrenatural !
Enclausurados num cartão-postal.

Guinga: violão
Lula Galvão: violão
Jorge Helder: baixo
Paulo Sergio Santos: clarinete, clarone
Nailor Proveta Azevedo: sax alto, sax soprano
Armando Marçal: percussão
Participação especial - Voz: Fatima Guedes


8. Senhorinha
(Guinga-Paulo Cesar Pinheiro)

Senhorinha,
Moça de fazenda antiga,
Prenda minha,
Gosta de passear
De chapéu sombrinha
Como quem fugiu de uma modinha.

Sinhazinha,
No balanço da cadeira
De palhinha,
Gosta de trançar
Seu retrós de linha
Como quem parece que adivinha
Amor.

Será que ela quer casar?
Será que eu vou casar com ela?
Será que vai ser numa capela?
De casa de andorinha?

Princesinha
Moça dos contos de amor
Da carochinha,
Gosta de brincar
De fada madrinha
Como quem quer ser minha rainha.

Sinhá mocinha,
Com seu brinco e seu colar
De água marinha,
Gosta de me olhar
Da casa vizinha
Como quem me quer na camarinha
Amor.

Será que eu vou subir o altar?
Será que irei nos braços dela?
Será que vai ser essa donzela?
A musa desse trovador...
Oh! prenda mi-nha,
Oh! meu amor,
Se torne a minha
Senhorinha...

Guinga: violão
Jorge Helder: baixo
Carlos Malta: flauta C
Paulo Sergio Santos: clarinete
David Chew: violoncelo


9. Na surdina
(Guinga)

Guinga: violão
Lula Galvão: guitarra
Jorge Helder: baixo
João Cortez: bateria
Gilson Peranzzetta: acordeon


10. Rasgando seda
(Guinga e Simone Guimarães)

Amigo te concedo vivas nessa hora
Pelo excitante canto que me deste agora
Que se sucumbam barcos correrão os rios
E os homens partirão em rumo aos desvarios
Em teu silêncio há paisagens
Cornamusas e clarões
Descansas entoando canções

Mas que intrigante vulto tomas pouco a pouco
Cavalos de sons chegam habitando ocos
Cantigas quimeras do fundo de tu'alma
Modinhas sinceras te cutucando a palma
A vida é o fio desse canto
Dor e mistério do meu pranto
Oh Ingá de Ossaim
O teu encanto mora em mim

És Sapoti no canto doce da Jurema
um samba de Orly com Canhoto em Ipanema
Brasileirinho já do alto da montanha
chamando Maomé para o canto de ossanha
em quais noturnas te anuvias
e como faz nas noites frias
que toda legião dos Iorubás proteja tua canção

Azulão
Desprendes tuas asas da amplidão
E colhe tuas rosas na canção, onde é bom voar
Ancião
Tu és o anjo novo da canção
És ouro do meu povo
promissão
ouro de Oxalá

beato dos bordões
das primas prisioneiro
dos ramos que suspiram o luso-cancioneiro
das plagas que te adora o povo brasileiro
onde os anais procuram mais a brisa traz tua canção


Guinga: violão
Jorge Helder: baixo
Carlos Malta: flauta C
Andrea Ernest Dias: flauta C
Nailor Proveta Azevedo: sax alto
(*) Cordas


11. Para Jackson e Almira
(Guinga-Simone Guimarães)


Para "Jackinha" Garrincha do pandeiro
Ave Maria meu Deus de tanto dom
Rumba no coco um fox bem ligeiro
Ai ventania mais forte do sertão

José ventou lá no terreiro
Ave confusão !
Correu notícia de banzeiro,insinuação
Kafkiano brasileiro,
Suingue na mão
O tal de "Rockson" tinha bebops na imaginação
Não havia poucos que batessem coco mais que sua mão

Dos lados de lá
O Paraíba

Põe catuaba no pandeiro
Afasta a onça com bicho- carpinteiro
Nascia o samba mais triste do Baião
Depois de conquistar a seca, vendo a multidão
Entrou na cauda do cometa da
Inspiração
Roubou Almira "Julieta"
O seu coração

E a "Gordurinha" parece que tinha

A motivação
Lascava o mambo
Mangando o pescoço
Inseminação:
Rumba no Arrasta-pé
Assim..."comequié"?

Este é o povo brasileiro
Soa tragédia no couro do pandeiro
Talvez a música não caiba nesse mundo e
A capoeira vai bater no catimbó

Hoje o nordeste já está em Copacabana
O Maanape em havana e Jiguê no Igexá
Macunaíma da memória não se apaga
Estreou com Luis Gonzaga
No J-a-c-k não vai parar
Agora eu canto com Jackson do Pandeiro
Gingo meu Coco de Almira e Iemanjá
Enquanto a vida não leva esse festeiro
Mestre Pandeiro seu canto eu vou levar

Guinga: violão e voz
Lula Galvão: violão
Jorge Helder: baixo
Carlos Malta: flauta C, flauta baixo
Andrea Ernest Dias: flauta C, flauta G, piccolo
Armando Marçal: percussão
Vozerio: Guinga, Rodrigão, Paulinho


12. Fonte abandonada
(Guinga-Paulo Cesar Pinheiro)

Longe da beira da estrada
Depois da ramada
Do bosque de ipê
Lugar que ninguém vê
Tem uma fonte abandonada
onde a bicharada
sempre vem beber
Fica a meia caminhada
da cerca de entrada
um rancho de sapê
Ali vai ser morada
Do meu bem-querer
vai, vai, vai
Em tempo de florada
em cada vão da estrada
forma-se um buquê
toda a mata a rescender
cheira como não-sei-quê
No frio da invernada
marca de boiada
em chão de massapê
lá vai caminhar meu bem-querer
bem-querer, bem-querer.


Participação especial - Quarteto Maogani: violões
Participação especial -Voz: Leila Pinheiro


13. Dichavado
(Guinga)

Guinga: violão
Lula Galvão: violão


14. Canção desnecessária
(Guinga- Mauro Aguiar)

Enlace o meu silêncio
E valse a valsa avessa
Que te fiz em pranto

É valsa em si contrária
Só pisando em falso
Se pressente o chão

A música ilusória
Quase te atravessa
Sem você dar conta.

E tanta antimatéria
Sem querer se apossa
Do seu coração

Esqueça o tempo então
E valse um sentimento
Por dentro a valsa esquece o som
Extemporânea
Imaginária
Etérea como o amor
Até quem sabe o Grande Amor !
Amor que vem na valsa
Mas que só se confessa
Quando valsa cessa
Amor.

Abrace o precipício
E valse a valsa imersa
Num silêncio insano

É valsa voluntária
mansa em seu ofício
de soar em vão

Canção desnecessária
Quase sempre acessa
Seu fundo oceano

Se você perde o senso
Nasce na memória
Súbito salão

Esqueça o tempo então
…………..

A sorte está lançada
A valsa está cansada
Logo vai cessar.

No próximo compasso
Vai sumir no espaço
Vai se dissipar !

Enlace o universo
E valse a valsa imensa
Que te fiz sonhando

Por mais que não pareça
nessa valsa avessa
Pulsa um coração.


Guinga: violão
Jorge Helder: baixo
Marcus Tardelli - violão requinto
Paulo Sergio Santos - clarinete
Andrea Ernest Dias - flauta C
Carlos Malta - flauta C